Mais uma data comemorativa? Mais um dia para homenagear as mulheres? E nos demais dias como somos tratadas? Como nosso trabalho é valorizado?

São questionamentos que precisamos fazer, principalmente nós, trabalhadoras da educação, por sermos uma categoria eminentemente feminina. E isso tem nos trazidos muitos méritos, mas, a meu ver, também alguns deméritos.

Segundo pesquisas, as mulheres têm uma capacidade de fazer várias coisas ao  mesmo tempo, enquanto que a maioria dos homens não têm. Não estou tentando desmerecê-los, pois reconheço que eles possuem outras habilidades que nós mulheres temos dificuldade de desenvolver! Porém, não é objetivo meu discutir essa questão, mas sim discorrer sobre as afirmações do parágrafo anterior.

O fato de conseguirmos fazer várias coisas ao mesmo tempo, aliada a educação para a submissão, tem segundo minhas reflexões, contribuído para que a nossa categoria profissional, apesar de reconhecida como essencial, ser desvalorizada tanto na questão salarial como nas condições de trabalho.

Alguns anos  atrás um governador paulista disse que as professoras faziam greves porque eram  “malcasadas”! Dizendo assim que nosso salário era um complemento da renda familiar! Sabemos que essa afirmação é absurda, porém pouca coisa mudou de lá para cá.

Que profissão que o trabalhador recebe por 30 ou 40 horas e trabalha 10, 12 horas a mais?

Já estudamos vários anos e continuamos estudando, não para sermos sujeitos do nosso fazer pedagógico, pois estamos sempre a mercê dos “modismos pedagógicos” e da concepção de educação de quem está no poder.

Acredito que se não fôssemos uma categoria composta quase só por mulheres, nossas condições de trabalho seriam outras.

A nossa submissão e nossa capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo tem nos colocado nessa condição, somos professoras, psicólogas, assistentes sociais, enfermeiras…

Mas, por outro lado se a educação brasileira, apesar de ainda não estar como deveria, tem avançado! Isso se deve a perseverança e a luta das mulheres e de alguns poucos homens.

Proponho esta reflexão, não para nos deixar tristes ou desanimadas… Mas sim para instigar um pouco a nossa criticidade.

Que nós continuemos a educar, e não percamos a capacidade de trabalhar com vigor e ternura, para  conseguirmos, quem sabe, sensibilizar mais homens a fazerem parte deste universo quase predominantemente feminino. Pois afinal, educar não  pode ser uma tarefa só das mulheres!

Um Dia Internacional da Mulher muito reflexivo para todos (as) nós.


Maria Cecília Rizo Pereira, Mestre em Educação pela FCT – UNESP, Professora Coordenadora Pedagógica da E.M. “Dr. Francisco Marques Bonilha” – Martinópolis, SP.